terça-feira, 21 de junho de 2011

Aquele sorriso.

Ouvindo aqueles velhinhos tocando jazz, uma mensagem chega em meu celular. Acho estranho, porque quem manda é a pessoa ao meu lado. A frase que compunha era simples. “Faça minha felicidade essa noite”. Comecei a rir, meio sem graça. E olhei pra minha frente. Lá estava aquele sorriso. Grande. Eu não sabia nada dele. Apenas que tínhamos amigos em comum.

O motivo de estarmos ali era comemorar o aniversário de um grande amigo. O local escolhido era um barzinho muito simpático que toca jazz nas quintas-feiras. O grupo, uns velhinhos com suas boinas e uma descontração absurda.

Quando ele entrou no local, acompanhado com mais duas amigas, não consegui não olhar, muito embora acreditasse que ele era namorado de uma das meninas. Inusitadamente, ele pensou o mesmo de mim em relação ao aniversariante. Eu não conseguia não olhar praquele sorriso. Era inebriante. Sufocante, diria eu.

A noite seguiu tranqüila. Muitas risadas, drinks dos mais diversos e um incomodo seguido de vontade. E uma pergunta surge no ar: “onde você mora?”, e nisso descobrimos que somos praticamente vizinhos e num quê de dúvida o problema dos relacionamentos são resolvidos. Ninguém namorava ninguém ali. E por fim, segui-se a noite.

Fomos embora. Cada qual ficou no seu devido lar. Chegamos em frente ao meu prédio. Finalmente estávamos a sós. A sensação de estar ao lado dele era única e diferente de qualquer outra. Falamos da nossa vida, na verdade, ele falou bem mais que eu. Contou da sua incrível jornada de conhecer o pai. Ele é incrível. Eu não me cansava de ver aquele sorriso. Era atordoante. Enquanto ele falava, eu não conseguia parar de olhar para os lábios, para o sorriso. Aquilo me dominava de tal maneira. Quando nos beijamos, não consegui pensar em nada. Entreguei-me. Foi único. Uma mistura de alegria com medo que eu nunca havia sentido antes. Eu não queria que aquele momento acabasse. Queria parar o tempo e ficar ali, com ele, com aquela sensação. Mas era preciso ir embora. Cada qual para seu canto.

Seguimos nossos caminhos. Mas, ele não sai da minha cabeça. Eu vivo rindo, as coisas parecem mais simples. E com isso, vem um medo absurdo. Da mágoa, do querer demais, do não ser correspondido. Eu não sei onde isso vai dar. Prefiro nem pensar. Mas está me fazendo tão bem. Faz meus dias tão mais gostosos. Não nos vimos mais depois disso. Falamos-nos por telefone, mensagens, e o meu desejo de encontrá-lo, de ser só dele, cresce cada vez mais.

Sim, às vezes acho que espero muito de tudo, mas pela primeira vez, me entrego sem receios. Sei o que quero. E sentir isso da outra parte me faz um bem muito grande.

Estou feliz e isso me basta. Conto os dias, as horas, para vê-lo de novo. Para poder ver aquele sorriso indo na minha direção, acariciar seu rosto, beijá-lo, ser dele e fazer novamente do momento ao lado dele único. Eu não sei o que ele de fato está sentindo, mas é bom. Tudo isso, é muito bom. A surpresa, a ansiedade, o desejo, a felicidade. É um momento único e muito especial que eu não quero que acabe. Feliz, simples assim.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Mendigo do amor

Era um dia como qualquer outro. Eu vagava pela rua como um cão sem dono. Na verdade, na época era exatamente isso que eu era. Mas depois de conhecê-lo não precisava mais usar esse termo. Fernando era meu mais novo dono. Não tive muitos. Uns aqui, outros ali, mas ninguém verdadeiramente fixo. Eu enjoava deles ou então começavam a me tratar mal, mas Fernando era diferente.

O céu estava nublado, típico dos dias paulistanos, e eu andava por ai, como quem não quer nada. Acredito que era exatamente isso o que ele fazia também. Eu nunca entendi como ele conseguiu chegar aquela situação. Não entendo o mundo dos homens. Eles fazem as coisas sem pensar, se arrependem, matam uns aos outros, mas não fazem nada para mudar seu modo de vida.

E lá estava eu, andando pelo famoso Minhocão da cidade de São Paulo. Vagava sem rumo, a procura de um canto pra ficar, de uma companhia ou de alguns restos de comida para me alimentar. De cabeça baixa eu ia farejando as coisas a minha volta. O cheiro da poluição era mais forte que qualquer outra sensação no ar. Mas aquele aroma me chamou atenção. Eu podia até imaginar aquela comida, a massa quentinha que acabou de sair do forno, a manteiga derretendo naquele pão.
Em meio esses aromas eu avistei aquele homem alto, magro, com uma aparência de cansado, a barba imensa e suja, roupas com um cheiro desagradável. Eu olhei para ele, e num gesto caridoso ele dividiu o pão comigo. Ele poderia ter me ignorado como muitos, mas me olhou e num simples ato partiu o pão e o levou a minha boca. Nunca comi com tanto gosto.

Aquele momento foi um dos momentos mais importantes da nossa jornada. Ali começamos uma verdadeira amizade e aos poucos fomos nos conhecendo. Como eu não sabia o nome dele, o chamava de meu dono e ele me chamava de Lupi. Já tive muitos nomes. Bob, Billy, Cãozinho, e agora mais um. Juntos continuamos andando pelas ruas de São Paulo, em busca de um lugar para ficar.

A jornada continuou, até que farejei um cheiro de carne. Mal sabia eu, que ali seria o local onde ficaria com meu dono. As pessoas que ali estavam nos receberam com muito carinho. Logo nos deram um pedaço de carne que juntos devoramos e água para beber. Ficamos saciados. Uma praça na região oeste, mais precisamente na Barra Funda. Naquele lugar conheci meu dono e sua triste história.

Fernando, 39 anos, professor, formado em geografia numa das melhores faculdades da cidade, casado, sem filhos e ex-morador do bairro Santana.

Ele era feliz. Há dois anos vivia com sua mulher, Cláudia. Eles se conheceram na faculdade. Ela fazia algumas disciplinas e em meio as festas de quinta-feira, em que o professor dava uma escapadas eles começaram uma conversa que depois de 3 anos levou a um rápido e marcante casamento.

Mas Cláudia era diferente de Fernando. Ela atuava na área da odontologia e todos os dias ia trabalhar no consultório dela e de um amigo de faculdade. Ela era feliz, ao menos aparentava. Adorava a profissão e tinha muitos clientes. Diferente de Fernando. Meu dono gostava muito de geografia, mas não era feliz dando aula para tantos alunos. Ele queria mesmo era estudar e estudar, e isso que fazia. Pegava o mínimo de turmas possíveis para ajudar no sustento da casa e passava o dia em bibliotecas, internet, sempre pesquisando e debatendo sobre os problemas sociais do país. Não tinha muitos amigos, mas não ligava. Ele se contentava em ter apenas o amor de Cláudia. Meu dono amou aquela mulher desde o dia em que a conheceu. Era um amor tão absurdo que deixava de fazer as coisas para poder cuidar dela, ficar ao seu lado e amá-la sempre e sempre. Só que Cláudia não era assim. Uma pena ele não ter descoberto isso a tempo.
Todos os dias, Fernando se ocupava dos afazeres da casa. Cozinhava, passava, limpava a louça, fazia comia e depois ia pro seu trabalho. Ensinava História do Brasil e os problemas sociais no nosso século. Não sei ao certo o que isso significa, mas pela expressão que as pessoas a nossa volta sempre faziam devia ser algo interessante. Ao todo ele tinha 4 turmas. Segundo ele esse era um bom número porque não ficava estressado e ainda tinha tempo para cuidar das suas coisas.
O amor deles no início era avassalador. Passeavam, se amavam, viviam na casa dos amigos dela em jantares, almoços, mas com o tempo, Fernando passou a amar muito aquela mulher, ao ponto de não querer que ela saísse mais sozinha ou com quem ele não conhecia. O amor dele por ela estava virando uma obsessão, e isso passou a deixá-la cada vez mais distante dele. Se antes, ela saia do trabalho e ia para casa, agora a situação era diferente.

Ela não conseguia ficar muito tempo ao lado dele, mesmo ele intensificando os seus trabalhos em casa para cuidar dela. Cláudia já não notava mais nada, reclamava de tudo, vivia muito tempo longe de casa, não comia o que ele fazia e cada vez esnobava mais o Fernando.

Vejo nossa situação agora. Fernando passa longos dias bebendo, fumando e sem rumo. Ele disse que nunca teve vícios, mas era diferente. Fiquei imaginando se foi o amor que sentiu por ela que causou isso. Se realmente amar é capaz de acabar com a vida de uma pessoa, se o amor era assim mesmo, eu agradeço por nunca ter amado.

Ganhamos a vida vendendo bebida e ajudando as pessoas ali naquela praça. Íamos ao bar e Fernando pedia garrafas abertas para assim podermos vender. No início morávamos em 6 pessoas numa barraca, mas com o tempo e generosidade das pessoas que passavam pela praça, nos deram uma nova barraca. Assim, Fernando mudou-se junto com mais um amigo para o novo iglu. Estava feliz por ter uma nova casa e um dono tão bom.

Nossos dias eram tranqüilos. Ficávamos ali sentados o dia todo. Ás vezes ele saia pra passear comigo e andávamos pelas ruas ali ao redor. Mas às vezes ele não acordava muito bem e bebia muito. Nesses dias eu não saia do lado dele. Tinha medo que alguma coisa acontecesse. Eu queria cuidar dele.

Quando num dia ele voltou para casa, preparou tudo, arrumou as coisas, queria agradar Cláudia. Tudo estava perfeito, senão por um detalhe, ela não voltou mais para o lar deles. Fernando ficou desesperado. Procurou em tudo quanto foi lugar. Ligou para familiares, amigos, conhecidos, mas ninguém sabia dela. Ele não sabia o que fazer. Começou beber, fumar, passar as noites em claro tentando entender porque ela fez isso com ele. Um marido exemplar, sempre presente. E assim, ele enlouqueceu.

Aos poucos Fernando foi definhando. Não mais comia, se banhava ou mesmo se cuidava. Não queria saber de mais nada. E num dia ele resolveu sair por ai, vagando sem rumo pelas ruas, até o dia em que me encontrou. Não entendo, até hoje, porque ele deixou de viver. Não consigo entender como um sentimento tão nobre pode levar um homem a tal ponto. Eu gostava do Fernando, mas não a ponto de deixar minha vida, que é simples e pobre, por ele. Sei que ele me é fiel e eu sou a ele, mas o amor próprio é o mais importante sentimento. E Fernando não mais tinha.

Agora ele está melhor. Ele nunca fala nela. Ás vezes quando está muito bêbado ele fala muito dela. Ele ainda a ama muito, mas agora dá para ver que ele se ama também. E tem amigos. Aqui somos uma comunidade. Todos se ajudam e nunca deixamos ninguém sozinho.

Ele tem a mim. Meu dono e amigo.

sexta-feira, 26 de março de 2010

aquela noite foi inesquecível...

Ela já perdeu a conta de quantos homens conheceu. Cada um era de um jeito. Moreno, loiro, alto, baixo, gordo, magro. Ela não ligava pra esteriotipos, jeitos e manias. O diferente aguçava sua imaginação. Marilia era uma mulher decidida a ser feliz e sabia que não precisava ter alguém do seu lado para isso. Suas amigas brincaram que a música dela era Mulheres, mas com ela seria Homens. Não era do fetio dela se apaixonar ou ficar com alguém por muito tempo. No fundo, ela tinha medo. Mas a vontade de sair sem ter que dar explicação, de ir e vir quando quiser, de experimentar sempre o novo fazia dela uma mulher realizada. Claro, Marilia às vezes queria apenas ficar emc asa vendo um filme, comendo algumas guloseimas no colo de algum principe, mas ela era realista.Sabia que nenhum desses homens era para ela. Não que ela fosse superior ou qualquer coisa diferente deles. O problema era ela mesmo. Quando saia escolhia o pior que pudesse ter, para que nenhum se apaixonasse por ela. Marilia era diferente das outras meninas. Enquanto suas amigas reclamavam que nao namoravam, que não encontravam alguém interessante, ela desfrutava de ótimos parceiros e adorava acordar em casa sempre. Sim, algumas vezes dormia na casa de uns dos homens de sua vida, mas adorava depois de uma relação ir para casa, tomar um banho e dormir na sua cama.
Os homens? Alguns voltavam a procurar Marilia. Mas ela sempre arrumava um jeito de não sair com eles novamente. Agora se a transa foi muito boa e o cara é interessante, ela aceitava repetir a dose.
E aquele homem era um desses. Foi uma noite qualquer. Suas amigas ligaram eufóricas a chamando para ir na balada que prometia ser um sucesso. Marilia se empolgou. Enquanto suas amigas procuravam as melhores roupas para a noitada, ela vestiu uma sainha qualquer e colocou o sapato que tanto ama. Estava linda e simples. E lá foram as meninas para a grande noite.
Quando estava saindo de casa, o celular dela toca.
Marilia atende. A fala dela é engraçada. E ela conversa sorridente com seu amigo. Ele a convidou para ir a uma super festa. "Meu Deus, quanta festa!". E como Marilia gosta de farra, logo aceitou. Chegando na primeira festa, ela logo descobre que não aceitam cartão Visa. Aquilo acabou com a festa dela. Ela nunca saia com dinheiro. E saber que não poderia consumir nada a fez ficar um tanto chateada. Então lá fica ela com suas amigas, que por sinal quase não bebem. Sim, Marilia era a mais louca delas. Com isso, ela resolve dançar, mas para ajudar, a musica não era tão boa. E em meio aos risos e conversas um grupinho de homens se aproximam das meninas. Conversa vai, conversa vem, bebida vai e vem, elas finalmente começam a se divertir. Mas ficar ali naquela situação não era muito característico delas. Até que por unanimidade elas resolvem ir até algum barzinho comer algo. Vão embora. Comem, bebem, e o celular de Marilia toca. São 4h12. Seu amigo lhe avisa que está indo buscá-la para irem a super festa.
Aquilo sim era festa. Pessoas bonitas, musica boa, e que lugar! Marilia era apaixonada por aquele ambiente. Aquela musica entrava na mente dela e a fazia a mulher mais feliz do mundo. Em meios as bebidas, danças, risadas, ele veio falar com ela.
Foi engraçado, ela não estava interessada em ficar conversando ou de "pegação" com ninguém. Ela tinha tirado a noite para dançar! Mas em meio a bagunça, eles se beijaram.
Fazia tempo que ela não sentia aquilo. Até hoje ela nao sabe se foi por causa do lugar, a musica, bebida ou qualquer coisa, mas aquele momento nunca mais saiu da cabeça dela.
E juntos passaram a noite toda juntos, até que se cansaram e em meio ao frenesi do momento resolveram ir embora. Fábio disse que levaria ela embora. Mas Marilia estava com seu amigo e queira ou não ele era um desconhecido. Só que ela nem pensou nisso. Deixou se entregar e resolveu aceitar a carona. Durante o trajeto ela percebeu que não estavam indo para sua casa e sim para um outro local. Sim, a noite se extenderia. Primeiro eles seguiram até o apartamento de Fábio. Um grande e bonito apartamento num dos bairros mais agitados da cidade. A familia dele dormia silenciosamente nos quartos e dava para ouvir apenas o barulho do salto de Marilia batendo no assoalho. Eles seguiram até o quarto de Fábio. Lá eles se beijaram e se deixaram entregar. Mas aquele não era o melhor lugar. Então foram até um flat ali perto. Marilia, no fundo estava se sentindo uma prostituta chique, mas ela não estava preocupada com isso agora. E lá eles passaram a tarde toda. Marilia se deixou entregar de uma forma sem tamanho. Até que eles adormeceram. A tarde toda eles conversaram, transaram, se entregaram, beberam, fizeram a própria festa naquele quarto. Era engraçado como ele tratava ela. Embora pela pouca diferença de idade, ela brincava que Marilia era sua pequena. E isso se confirmou quando ela resolveu tomar um Toddynho. E juntos riram pela situação. A tarde foi divertida. Quando já estava anoitecendo eles se deram conta que era hora de partir. No fundo os dois não queriam, mas o compromisso batia a porta. Era hora de voltar para casa. No caminho eles mal se falaram. Ficaram quietos vendo a chuva cair, nem o rádio eles ligaram. Na porta do prédio de Marilia, ele anotou o telefone dela. E ironicamente ela disse que ele nunca ligaria de novo para ele, em especial pela forma como tudo aconteceu. Mas ela não se importava. Estava acostumada a conhecer pessoas, passar bons momentos com elas e depois de um tempo não as encontrar mais. Fábio perguntou se ela não queria o telefone dele, assim, ela poderia ligar. Só que Marilia não anotou e num simples gesto disse que esperaria ele procurar por ela. Assim, ela pegou sua bolsa, deu um beijo no rosto dele, saiu do carro e seguiu até seu apartamento. Ela estava exausta. O final de semana tinha sido agitado demais. Marilia tomou um banho demorado. Aquela noite ficaria pra sempre na sua cabeça. Simplesmente pela forma com que aconteceu. A forma como se conheceram, como juntos se descobriram. Mas ela sabia que aquela tinha sido apenas mais uma noite.
E quando ela pensava que ele nunca mais ligaria. Dois dias depois, seu telefone toca. Marilia não reconhece o numero, mas atende. "Olá pequena!". Ela estava realizada.

quarta-feira, 24 de março de 2010

..ela voltou a ser mulher

Eles precisavam ter uma conversa franca.
Lucinda não queria perder aquele homem. No fundo, ela sabia que ele não era para ela. Mas ao mesmo tempo ela se sentia muito feliz ao lado dele.
Era divertido. Mas quem era Lucinda? Ela não era uma modelo, tampouco tinha um corpo de parar o trânsito. Mas aquele olhar era por demais penetrante.
Ela não era daqui. Sua cidade natal não ficava muito longe do congestionamento da capital, mas no fundo ela sempre soube que enfretaria esse tumultuado clima de garoa.
Lucinda adorava passear pela cidade junto com seu fiel amigo. Eles se divertiam muito. Ela era um mulher muito realizada. Estava onde sempre soube que estaria e fazia somente as coisas que lhe dava prazer. Sim, claro, às vezes ela tinha que fazer algo chato. Mas é impressionante como no fundo ela conseguia tornar até mesmo uma análise de gráficos em algo interessante.
Os amigos? Bom, ela não tem uma gama muito grande. Mas os que tem, são realmente importantes e fieis a ela.
E, inesperavelmente ele surgiu na vida dela.
Augusto. Esse era o nome dele. O falar dele? É até engraçado descrevê-lo. E isso, porque nem ela consegue fazer isso. Ele é um garoto que quer apenas viver a vida. Não tem preocupações, compromissos, grandes responsabilidades. Isso pode parecer uma maravilho no inicio. Mas já estava deixando Lucinda cansada disso.
Como eles são diferentes, mas no fundo são idênticos. Talvez a musica Eduardo e Monica os descreva da forma mais fiel possivel. Ou talvez, Garotos.
Lucinda sempre foi muito pra ele. E Agusto sabia disso.
Mas é impressionante como ela conseguiu se sentir um nada ao lado dele. Não que ele a tenha feito sofrer. De forma alguma. Lucinda era muito feliz ao lado daquele garoto solto no mundo.
Como ela ria ao lado dele. Os dois se divertiam muito. Segundo os amigos dele, Lucinda era a versão mulher de Augusto. E como ela gostava de ouvir isso.
Mas estava mais do que na hora de ter aquela conversa.
Eles viveram bons momentos juntos. Mas ela já não se sentia mais mulher. E isso precisava mudar.
Com um tom leve, Lucinda disse a Augusto que eles precisavam bater um papo. Era engraçado como ela mesma encarava o relacionamento. No fundo ela sabia que não passava de uma brincaderia, e que uma hora ou outra eles iam ter esse "papo".
Então, ela começou a contar como se sentia ao lado dele. Lucinda não poupou esforços para dizer tudo. Ela não queria mais enrolar. E assim despejou um monte de coisa que já deveria ter dito. Erro dela deixar isso para tão tarde. E Augusto apenas ouvia o que tinha a dizer. Ele não esboçava nada. Por aproximadamente 2 horas Lucinda falou sem parar, chorou, rio, esbravejou, reclamou. E ele se manteve lá. Firme, confiante. Assim que acabou Lucinda pegou sua bolsa e saiu pela porta. Tranquila e relaxada. Apesar de ter participado de um monólogo, isso fez ela se sentir bem melhor. Porque no fundo Lucinda sabia que ela era muito mais que aquela relação. E que mesmo diante da possibilidade de perdê-la, ele não fazia nada, era melhor ir embora mesmo.
E lá foi ela. Com um andar leve, calmo e serena.
Lucinda voltou a sorrir e ter a mesma confiança em si. Ela estava feliz.

sexta-feira, 19 de março de 2010

A conversa final

Era uma manhã ensolarada. Um dia comum, se não fosse por todas as malas espalhadas pelo quarto, pelo frenesi dos pais correndo pra lá e pra cá para conferir os dólares, a passagem e mais um monte de coisa que envolve viagens.
Mas essa viagem mudaria a minha vida e a dele também.
- Quero que você seja feliz, sempre.
- Eu vou sentir muito sua falta, mas sei que é o melhor que eu posso lhe oferecer.
- Você já pensou que isso pode mudar pra sempre nossas vidas?
- Eu só penso que não quero te perder.
- Você não vai, e sabe disso.
- Mas eu tenho medo.
- Não precisa meu amor.
- Eu não quero ir.
-Mas você precisa. É o nosso futuro que está em jogo.
- Você sabe que eu nunca vou esquecer de você, né?
- Sei. Porque eu também não vou.
Ele começou a chorar de uma forma que eu nunca tinha visto antes. Eu não sabia o que fazer, então simplesmente o abracei e deixei que as lágrimas dele escorrem pela minha blusa. Nesse momento a mãe dele entrou no quarto. Eu não sabia como reagir. Isso nunca havia acontecido antes. Simplesmente me retirei e deixei eles ali. Mãe e filho na sua intimidade. Eles conversaram por um tempo. Não sei o que porque não ousei ficar ali ou mesmo perguntar para ele. Assim que terminaram, ela me chamou.
Voltei ao quarto e ele estava mais tranqüilo.
- Você está melhor?
- Estou. Minha mãe me deu um calmante. Disse que faria eu me acalmar e poder viajar melhor.
- É só 1 ano, amor. Passa rápido. Você vai ver.
- É..
- Eu vou te visitar, esqueceu?
- Eu te amo.
- Eu também. Eu te amo de uma forma que eu não sei explicar. E por amá-lo tanto que deixo você ir.
- Você não tem medo?
- Tenho, amor. Tenho muito medo. Mas eu evito pensar nisso. E sim que você vai estudar. Conhecer gente nova, aprimorar a língua, conhecer uma nova cultura. E isso supera qualquer medo que eu venha a sentir.
- Me ajuda a conferir as coisas da viagem?
- Claro. Anotou todos os meus presentes?
- Você é muito boba mesmo, né?
- Alguma vantagem eu tenho que levar. Você vai viajar, ficar um ano longe de mim, vai conhecer um monte de lugar legal e não vai me trazer nenhum presente? Tá louco, né?
- Como eu te amo, guaximim.
- Eu também meu amor. Amo completamente.
Conferimos as coisas sem pensar muito no que estávamos fazendo. Meu coração estava apertado, mas eu tinha que ser forte. No carro não trocamos sequer uma frase. Não era preciso. Só de nos olharmos já sabíamos o que se passava. O pai dele estacionou o carro. Eram 18h30. Pegamos a mala e nos dirigimos até o local de embarque. A viagem era às 22h, mas como era voo internacional, ele devia chegar às 19h. Ele fez o check-in e veio na minha direção. Eu não conseguia olhar pra ele sem sentir uma dor muito forte. Eu o amava. Eu queria que ele fosse seguir a vida dele. Mas sabia que isso ia doer muito.
- Você vai me esperar?
- Eu preciso responder?
- Eu vou te escrever todos os dias. A gente vai se ver. E por favor, não deixa de ver, falar com minha família. Eles são o elo mais próximo de mim que você vai ter.
- Eu sempre vou ter você.
- Não deixa de fazer nada, nunca. E eu nunca vou te esquecer.
- Para, é só 1 ano, eu já falei.
- É..
- Vem cá, me dá um beijo.
- Eu te amo.
- Eu sou louca por você.
- Eu vou voltar pra você.
- Não precisa, você sempre vai estar no meu coração.
- Promete que não vai esquecer que eu te amo.
- Só se eu for louca.
Nos beijamos. Não sei quanto tempo ficamos ali abraçados, com os olhos cheios de lágrimas, uma dor no coração. Mas com a certeza de que isso mudaria nossa vida para sempre. E mudou.

terça-feira, 16 de março de 2010

A descoberta do novo velho sentimento

A descoberta. É esse momento que ela passa. Não uma descoberta nova ou inusitada. Depois de um relacionamento, o que nos resta? A solidão, a magoa ou optar por lembrar os bons momentos e seguir enfrente. Mas, sabemos que não é sempre assim. Todo relacionamento envolve inúmeras coisas, como grande afeto, dependência e muita intimidade. E, com ele também vem cada vez mais a busca pelo inusitado, pelo novo.
Era isso que ela sempre quis. O novo.
Não que ela seja uma pessoa que nunca está satisfeita com o que já tem. Pelo contrário, ela ama suas realizações, mas também quer sentir aquele mesmo frio na barriga. Por isso, atende ao telefone, e espera ele convidá-la para sair. Depois de um dia estressante de trabalho, com inúmeras laudas para rodar, inúmeros vt´s para editar e textos a escrever, ela sai e decide ir caminhando até o shopping.
Ela poderia ter pegado um táxi ou mesmo enfrentado o tumultuado e lotado ônibus. Mas, não. A noite está agradável. E, assim segue lentamente pelo caminho visto pelo tão espetacular Google Maps. Perder-se não é um dos programas favoritos dela. O celular vibra. Ela sabe que é ele. Na mensagem ele diz que já está a sua espera. Não é fácil explicar a sensação que sentiu naquele momento. Mas, ela não muda seu passo. Continua lenta e pensativa.
Seu pensamento vai longe. Vai até as viagens feitas até ali, nas amizades conquistadas, nos amores e desamores, nos grandes afetos. Mas, no fundo ela quer saber o que lhe espera. É uma ansiedade misturada com apreensão. Quando finalmente chega à entrada do shopping, percebe que ele não está ali. Será que se enganara de entrada? Pode ser. Ela liga e diz que já está ali. Eles trocam algumas palavras e ela diz que vai até a praça de alimentação ao seu encontro. Na subida pela escada rolante ela sente aquele friozinho. Na verdade não sabe explicar o que é aquilo. Mas, é bom. Muito bom.
Ele liga e fala que se confundiu. Ao mesmo tempo em que disse para ela subir, resolveu descer para ir ao seu encontro. Riram com esse engano. Eles sentam, começam contar como foi o dia. Trabalhos, papéis, viagens. Nada muito interessante. Até que ele sem jeito suja a blusa dela com chocolate. Eles dão muitas risadas. É engraçado estar ao lado dele. Ela se sente uma criança. Uma jovem que não sabe como agir, o que falar, como se comportar.
Eles decidem ir embora, afinal, não há muito que se fazer num shopping em plena segunda- feira à noite. Juntos chamam um táxi e vão até um bar próximo dali. Resolvem pedir ao mais leve. Caipirinha de abacaxi para ele e de morango para ela. A noite foi muito agradável. O telefone dele toca e ele descobre que terá que viajar logo cedo a trabalho. Ela não sabe explicar, mas naquele exato momento seu coração apertou. Aquela sensação do primeiro beijo, da primeira transa, do primeiro emprego, e das inúmeras primeiras vezes. Foi isso que sentira. E, então ela se sente plena.
Depois de muito tempo, ela voltara a sentir aquilo que nunca deveria ter parado de sentir. Talvez por culpa dela mesma ou não. Mas, prefere não pensar nisso e com um beijo ela se despede dele. E, aos abraços diz em seu ouvido: estarei lhe esperando.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

de um café, uma descoberta


Era noite. A chuva caía lá fora e com ela vinha um barulho de vento leve. Medéia adora a chuva, ela se sente limpa e leve, tanto que não corre ou se protege dela quando ela resolve aparecer.
Medéia é uma mulher solitária. Todo dia acorda, fuma um cigarro ainda na cama, seu colchão tem alguns furos de cinza derrubada. Então, ela se levanta, toma um longo banho ao som das notícias que saem do rádio portátil, lava seu cabelo dia sim e dia não. Ensaboa cada parte de seu corpo de forma leve e devagar. Ela leva em média 30 minutos em seu banho.
Ao sair toma apenas um café e come alguma fruta. Ela não se preocupa muito com a refeição matinal. Na verdade Medéia não se preocupa com refeição alguma, por isso apresenta quadros graves na sua saúde.
Medéia acende outro cigarro e vai pro seu dia longo e estressante de trabalho. Ela trabalha em uma repartição e fica o dia todo analisando dados e números. Ela odeia o seu trabalho.
Ela não tem muita esperança nas coisas. Porém, aquele dia seria marcado pra sempre na vida de Medéia.
Na volta pra casa, Medéia resolve ir ao teatro. Fazia tempo que ela não fazia algo realmente que fosse de seu agrado. Então, ela segue até o teatro, compra seu ingresso e aguarda em um café próximo. Ela teria de esperar 1 hora até o inicio da peça.
Ela pede apenas um café e logo acende seu cigarro. Medéia tinha um olhar triste. Ela nunca se apaixonara por alguém, teve alguns amores e desamores, alguns acertos, mas em sua maioria foram erros. E ao ficar ali sentada sozinha, vendo pessoas conversam, rindo, Medéia se deu conta de o quanto era triste.
Assim, um homem lhe pede o fogo emprestado. Como todas as mesas estão ocupadas, ele pede pra se sentar na mesma mesa que ela. Medéia de prontidão diz que sim. Ela nunca negara a companhia de ninguém.
Ele pede um café e um salgado, estava faminto. Tinha acabado de sair do trabalho e desde o almoço não comia nada.
Ele pergunta o nome dela, Medéia responde com um sorriso no rosto e logo, pergunta o dele. Celino, ele diz. E assim, uma conversa tímida começa entre eles. Perguntas de trabalho, gostos, filmes, peças de teatro, e sem perceber se passa 40 minutos.
Medéia e Celino vão assistir à mesma peça de teatro. Uma peça que fala sobre a descoberta do ser, a profunda e grande indecisão sobre a vida.
Medéia se comove durante a peça, e Celino em um gesto de carinho se cede seu lenço.
Após a peça, Celino sem querer ser abusado, convida Medéia pra um ultimo café, e para poderem continuar a conversa de antes.
Eles seguem pra um café um pouco mais distante dali. Durante o trajeto não falam muitas coisas, apenas sobre como a peça os tocou. E sem perceber, estavam confessando suas mais profundas vontades e desejos.
Medéia e Celino não sabem o tempo certo que ficaram conversando e trocando suas confidencias, apenas sentiram que aquele momento ficaria pra sempre marcado em suas vidas.
Ela nunca sentira uma confiança tão grande em alguém. Medéia tem medo das pessoas, medo que elas possam machucá-la, mas com Celino foi diferente.
Após longas horas de conversa, eles se despedem, trocam números de telefone e prometem um novo encontro.
E a noite estava linda, embora um pouco fria e sem estrela no céu. Medéia passou a ver aquele dia com outros olhos.
Medéia chega em casa, toma um longo banho, come uma fatia de pão e resolve se deitar.
Quando já estava na cama, fumando o ultimo cigarro da noite, seu celular vibra. Ela recebeu uma mensagem. Quem será à uma hora dessas, pensa ela. Era Celino lhe desejando boa noite e dizendo que nunca sentira uma sensação tão boa ao conhecer e conversar com alguém.
Medéia, a solitária, se torna uma adolescente e fica corada com uma mensagem que não esperava tão cedo. Ela se esconde debaixo da sua coberta. E relembra sua fase de adolescente em que trocava mensagens com seus namoradinhos, escondida, com medo de que sua irmã a visse mandando torpedos, ou visse o quanto feliz ela ficava com essa situação.
Ela se irradia de esperança. Medéia adora essa sensação que a tanto não sentia. E ela promete pra si que não vai deixar que isso seja em vão.
Celino, em sua casa, aguarda ansioso pela resposta e quem sabe um novo encontro. Ele está feliz. Diferente de Medéia, ele nunca teve problemas com relacionamento, embora achasse que nunca estava satisfeito ou completo o bastante. Mas, com Medéia ele sentira algo inexplicável.
Ambos trocam mensagens e por fim, resolvem que está tarde.
Medéia fecha seus olhos e ao som da chuva caindo adormece e sabe que o dia de amanhã será bem diferente de todos os dias de sua vida.


Por Milena Nepomuceno

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A chuva pede palavras

Fazia tempo que eles não se viam. Não trocavam uma palavra. Ela já não sabia mais como dizer a ele o que sentia, e também não sabia se ele queria ouvir o que tinha a dizer.
Ela não sabe explicar como se deu o encontro.
O tempo estava escuro, as pessoas estavam com uma expressão séria e de vazio, a dela não era diferente. Em meio àquelas pessoas, ela se tornava mais uma. Mais uma em meio à multidão que vaga sem saber aonde quer chegar, mais uma que segue sem rumo e não olha para o lado.
Ele estava preso no trânsito, uma coisa bem comum em uma quinta - feira às 17h30 e ouvia Lenine. Não sei se pensava nela nesse instante, afinal fazia 3 anos que não se viam e não se falavam.
Mas, ela sempre que ouvia a voz macia e suave do cantor, só conseguia pensar e lembrar dos momentos que estava ao lado dele. Quando estava com ele, ela não se sentia como ‘mais uma’. Ela se sentia única e exclusiva, se sentia feliz.
Por ela eu posso falar, eu a entendo, já por ele, não tenho a audácia e nem o atrevimento de tentar compreender.
O primeiro pingo de chuva cai na face quente dela. Que alívio ela sentiu quando aquela gota tocou sua pele, fora uma sensação indescritível. Porém, com a chuva, vem o tormento.
As pessoas começam a abrir seus guarda-chuvas, outras começam a correr com medo dela, mesmo sabendo que isso não adianta. Mas ela não corre e não se protege, simplesmente continua andando e sorri.
O vidro do carro fica embaçado, e ele sente um calor absurdo dentro do carro. Ele resolve estacionar o carro e entrar em um café. Ele não tem pressa em chegar em casa, está entediado o bastante pra ter que ligar a TV e ver as noticias ruins a serem contadas.
Ela chega até um café. Estava bem cheio, as pessoas falavam sem parar, fumando desesperadamente e bebiam.
Ele entra no café. As mesas estão todas ocupadas, em geral por pessoas solitárias, lendo livros, ouvindo música ou simplesmente esperando assim como ele. O lugar está calmo e silencioso.
Ela bebe seu café, ouve conversas alheias, ri sozinha dos absurdos que ouve e vê. Mas, ela não está ali. E de repente começa a tocar Si tard, seus pensamentos voam até uma tarde de outono.
E esse pensamento cruza com o dele, nesse mesmo momento ele ouve a mesma música que ela. E agora sim, ele se vê pensando nela.
Ninguém sabe explicar o porquê, mas nesse exato momento, eles se encontraram. E ambos riram da sua solidão e do estágio que se deixaram chegar.
Eles resolvem ir embora, ambos vão caminhando, e quando chegam ao semáforo, o sinal fecha, a chuva aumenta e eles se olham.
Trocam olhares, até que pessoas apressadas os empurram porque querem atravessar a rua. Eles caminham juntos, se olhando, sem dizer uma só palavra.
Só vê-lo e ver aquele sorriso aberto em meio à chuva que cai em seu rosto, a fez corar e sentir a mesma adolescente boba de quando ele chegou a sua porta e sem dizer nada lhe deu um beijo.
Ao fim da rua, eles trocam algumas palavras bobas. Eles não sabem por onde começar a conversa, então seguem juntos lado a lado. Ele segurando o guarda-chuva, os protegendo.
Ela sentiu que naquela hora o dia se ilmunara e que nada mais importava, apenas estar ao seu lado, mesmo sem dizer nada.
Quem sabe a chuva não os faça falar.

Por Milena Nepomuceno

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Então é Natal

Ah, então é Natal!
Ela nunca gostou desses lugares que começam a colocar os efeites de natal antes da hora, por exemplo bem no começo de novembro.
Mas, tenho que admitir que ela se vê dislumbrada nessa época. Como é bom passar por prédios iluminados, por ruas cheia de luizinhas. Parece que a noite dela se torna mais feliz.
É engraçado, ela adora.
Não vê a hora de poder andar a noite pelas ruas e se deparar com todas aquelas luizinhas a brilhar ou mesmo os inúmeros concertos feitos pelos bancos.
Ela não é muito de viver o espírito natalino, mas adoro sentir o frescor de sair nas ruas e ver tudo mais iluminado. Dá a impressão que as pessoas estão mais feliz.
Ela se senti viva, feliz, mais amada, mais vibrante.
Não há explicações para tal sensação, apenas é muito vibrante!
Viva o espírito natalino.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

em busca do vagão perdido...

Por Milena Nepomuceno
As pessoas correm apressadas, se esbarram, não se olham. E com ele não é diferente. Passou por ela e nem notou sua presença.
Ela não é mulher de chamar atenção. É feliz do seu jeito. A única forma que encontra de encantar as pessoas é não buscar forma alguma. É ser do jeito que é.
Ela estava em casa, sem nada de interessante para fazer. Na verdade estava lendo um livro que mostra o quanto as pessoas são moldadas e segundo o sistema proposto essa seria a maneira mais eficaz de evolução, já que os homens por se distinguirem em castas e pela monogamia acabam por brigarem e conseqüente reverberando a dimensões inanimadas. Opinião essa que se distingue da sua. Ela não crê que com a monogamia as pessoas lutariam mais umas com as outras. É certo que o ser humano procura o melhor para reproduzir, é do sistema animal buscar o mais forte para poder procriar, e isso ela não pensa ser o responsável pelas brigas ou desafetos entre as pessoas. As pessoas, segundo ela, deveriam aceitar mais o que elas têm e não ficar querendo se sobrepor umas as outras. É certo que somos e sempre seremos divididos em castas, que alguns detêm de mais poderes que outros. Mas isso não nos condiciona a brigar com o próximo, só nos leva a buscar formas de atingir metas, e para isso não é necessário eliminar o outro. Também não é certo se adequar ao sistema e muito menos burlá-lo, deve-se sim, traçar planos e ir em busca deles, com seu próprio esforço. Ela pensa muitas coisas quando lê esse livro.
Ela está quase acabando quando uma janelinha no meu computador aparece piscando. Ela vive com seu status ocupado, na verdade são poucas às vezes em que ela realmente está, mas não vem ao caso.
Sua amiga está nervosa, acabou de descobrir que era traída pelo namorado, como se isso fosse novidade pra ela. Mas sua amiga nunca desconfiara do que era obvio, então não seria ela quem ficaria martelando na cabeça dela o contrario. Meu Deus, ela percebe que foi tomada pela indiferença. Ela não se importa com o fato da amiga ter descoberto ou mesmo do namorado ser traidor. Ela vê que está pouco ligando pra isso. Na verdade, lá vêm ela com suas explicações. Não que ela não se importe com isso, é que para ela tantas coisas são mais importantes que o próprio umbigo de sua amiga. Não que isso justifique sua reação. Ela consola sua amiga, dizendo coisas que todos dizem. Sabe-se lá se vai mudar ou ajudar em alguma coisa, mas só de ter dito alguma coisa já redime sua indiferença. Ela realmente foi tomada pelo sistema.
Uma outra janela pisca. Um rapaz que ela conheceu na festa que havia saído no final de semana passado. Parece interessante. Na verdade é aquele que não havia notado sua presença. Porém, após uma ajuda de seu fiel escudeiro, ele se dirigiu até ela. E não para menos ficou encantado com seu jeito único de ser.
Ele inicia a conversa com um simples oi, como vai?!, ela já gostaria que fosse uma proposta pra sair. Eles nunca se beijaram, trocaram telefones, apenas dançaram e ela nunca se sentiu tão enlaçada por alguém. Ela não está apaixonada ou louca por ele. Quer apenas uma aventura. Bom, seus desejos foram, enfim, solicitados.
Ele, junto com uma galera vai viajar para um acampamento em uma cidadezinha vizinha. Momento ideal para ela reunir suas amigas e a atual solteira da turma para um passeio de final de semana.
Ela liga rapidamente para suas amigas e marcam de no dia seguinte passar para pegá-las e assim seguir viagem. Ela se sente muito empolgada. Ela adora viagens inusitadas.
Ela chega ao local e a primeira coisa com que se depara é um longo vagão de trem abandonado. Ela fica surpresa. E não sabe o porquê dessa surpresa. Na verdade ela se sente instigada com aquele vagão. Ela vê sua vida passar por ele. É como se cada parte da sua vida fosse um vagão. E que ao longo vamos perdendo alguns, por cometer erros e não buscar corrigi-los, por deixar as coisas passarem, por fazerem algo que não deviam ter feitos. Mas que tudo se define a isso. Que tudo não passa de vagões e que devemos cuidar o máximo deles. Ou então, estaremos encaixados em padrões que ela já se vê dentro.
Quando se vê na presença de amigos como aqueles, ela não se sente completa, apenas mais uma no meio de um milhão, como se pra ela nada fizesse sentido. Ela já é uma pessoa confusa e em meio aquele momento, àquelas companhias, ela vê que não é ali que gostaria de estar, e sim puxando aquele vagão de volta pra sua vida.
Ela vê que não está nem um pouco interessada na amiga traída, no homem que não a notou, nos amigos que fez ou deixou de fazer. Ela quer apenas voltar ao vagão.
Ela corre de modo desenfreado até ele e fica a contemplá-lo. Ela vê o quanto perdeu tentando fazer parte da casta mais alta, do quanto perdeu tentando se enquadrar em quadros que ela sempre achou destorcidos.
Ela vai recuperar o vagão, vai conquistar quem sempre devia ter ficado ao seu lado. Ela não está com medo de errar novamente ou de receber vários nãos, ela só quer tentar. Ela cansou da sociedade individualista, embora ela faça parte de tal. Ela sabe de sua real situação, e não vai tentar mudá-la ou contorná-la, muito menos se adequar, ela vai viver. E não vai se importar com que vão pensar ou não dela.
Ela só que ir para casa e pintar suas unhas de vermelho.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A vingança é um prato que se come frio

Por Milena Nepomuceno
A vingança permeia a vida de muitas pessoas, pode ela ser mostrada ou oculta, ela consiste na retaliação contra uma pessoa ou grupo em resposta a algo que foi sentido como prejudicial. Em geral, ela tem um objetivo mais destrutivo do que construtivo, e há uma busca de quem sofreu algo a de garantir que a ação não se repita nunca mais.
Muitos são os exemplos de vingança apresentados em filmes, novelas e outros do gênero. O filme Kill Bill retrata a vingança d’A Noiva (UmaThurman),codinome Black Mamba, ex-assassina profissional, parte do grupo DiVAS, Deadly Viper Assassination Squad. Na tentativa de se aposentar e levar uma vida normal em uma pacata cidade do Texas, A Noiva, grávida, está prestes a se casar, quando seus ex-companheiros de trabalho invadem a capela e matam friamente todos os presentes, inclusive o reverendo e sua esposa.
A abordagem feita pelo diretor Quentin Tarantino em que somos levados a rever o massacre na capela, durante o qual a protagonista foi baleada na cabeça por seu ex-amante Bill, consegue criar um clima de tensão crescente que culmina em um plano no qual a câmera sai da igreja, passa pelos quatro assassinos que trabalham para o vilão e afasta-se em direção ao céu, como se evitasse nos mostrar o terror que tomará conta do lugar. Isso para nos mostrar o grupo a ser procurado e posteriormente assassinado pela Noiva, (Uma Thruman) mostrando sua vingança a quem lhe causou mal.
Para a filósofa Martha Nussbaum, baseada nas bases morais, psicológicas e culturais, a vingança é, “O senso primitivo do justo — notadamente constante de diversas culturas antigas a instituições moderna . . . — começa com a noção de que a vida humana . . . é uma coisa vulnerável, uma coisa que pode ser invadida, ferida, violada de diversas maneiras pelas ações de outros. Para esta penetração, a única cura que parece apropriada é a contrainvasão, igualmente deliberada, igualmente grave. E para equilibrar a balança verdadeiramente, a retribuição deve ser exatamente, estritamente proporcional à violação original. Ela difere da ação original apenas na sequência temporal e no fato de que é a sua resposta em vez da ação original — um fato freqüentemente obscurecido se há uma longa sequência de ações e contra-ações". Perante a isso, tem-se que analisar as culturas de cada país, no Japão mantinha a honra da familia, clã através do assassinato vingativo.
A vingança é uma forma de auto expressão, ela pode não ser a mais certa forma de busca por soluções a quem lhe causou problemas ou danos. Porém, assim como disse a filósofa Martha para se tornar verdadeiramente satifeisto deve-se agir da mesma forma com que a ação original designada à pessoa.
Assim já dizia o ditado popular, vingança é um prato que se come frio. Os sistemas legais modernos ocidentais geralmente afirmam que sua intenção é a reabilitação ou a reinserção na sociedade. Porém, mesmo nestes sistemas a noção de justiça como vingança persiste em setores da sociedade. Diante isso não cabe a ninguém analisar o quão certo ou errado é o ato de se vingar de quem lhe fez mal, mas sim analisar o contexto a qual está inscrito.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

As mudanças provenientes da modernidade

Como a Rua Augusta se modificou ao longo dos anos

Carolina Paes, Giovanna Calhelha e Milena Nepomuceno
Augusta. Uma rua com a cara de São Paulo. Assim era conhecida a antiga Rua Maria Augusta, travessa da Avenida Paulista da cidade de São Paulo. Toda a sua extensão era como a veia principal dos grandes redutos culturais das décadas de 70 e 80. Era múltipla e cosmopolita, atraindo diferentes públicos e todos os tipos de contrastes: comércio popular e de elite, hotelaria de luxo e restaurantes sofisticados, bares simples e pequenos motéis.
No final dos anos 50, a Rua Augusta começou a atrair um comércio mais sofisticado, fixando-se como um novo centro de compras, além da difusão da moda, design e cultura da elite paulistana. O charme e todo o requinte da rua a transformava num grande pólo difusor de status, em que seus freqüentadores procuravam ao mesmo tempo o vouyerismo e o flânerie da metrópole paulistana, ou seja, ficavam vagando pela antiga Augusta na ânsia de verem e serem vistos, como maneira de se firmarem nessa nova sociedade em que é preciso ter para ser.
Mais adiante, por volta da dos anos 60 e 70, vira ponto de encontro da juventude paulistana, por meio dos cinemas e lanchonetes, em que os jovens lotavam nas tardes de domingo para curtirem e paquerarem. Com sua fama e grande ostentação a rua ganhou uma música “Rua Augusta”, que virou o hit de seus freqüentadores quando foi regravada pela Jovem Guarda na voz de Erasmo Carlos.
A rua fixou sua importância por ser a pioneira em diversas áreas, entre elas quando abrigou o primeiro Buffet de festas da cidade, o Buffet João Moura, a primeira boate gay, a Intend´s, e o primeiro espaço multicultural do país, o Pirandello, que se tornou o ponto de encontro de artistas, intelectuais e políticos que lutavam pela liberdade e redemocratização do país.
O movimento e as mudanças intensas do processo de modernização acabaram por transformar diversos pólos da cidade. As mudanças econômicas com o advento das indústrias proporcionaram um enorme contingente de pessoas para as cidades. Esse movimento excessivo transformou socialmente e culturalmente as ruas paulistanas, além é claro de influenciarem em suas estruturas. A Rua Augusta foi uma delas, já que passou de uma visão rebuscada para uma mais vulgar.
O boom dos shoppings Centers (novos redutos públicos/privados), fez com que a burguesia migrasse, reduzindo o movimento da rua. Foi nessa época que a Rua Augusta começou a entrar em declínio e passou a ser invadida por pessoas com um poder aquisitivo menor, além da efervescência de shows “alternativos” – gays e travestis – que passaram a mistificar a rua. É a partir daí, que ela começa a ganhar as características de hoje, deixando seu lado luxuoso, e partindo para a vulgarização, sendo sinônimo de uma aparência desgastada e de alta prostituição.
É evidente a grande perda da tradição desta rua, que por anos foi considerada símbolo de sofisticação e modernidade paulistana, no momento que os grandes casarões se tornaram estacionamentos, lojas, prostíbulos, e casas de festas. Como hoje, o foco da rua são os jovens, não é vantajoso, restaurar esses lugares, porque o público alvo busca espaços novos e modernos.
Há também uma desestabilização social, a partir do momento em que se torna um espaço inseguro e mal iluminado. Inseguro, porque passa a ser freqüentada por públicos diversificados e desta forma acaba sendo transformada em palco de agressividade e violência. Atitude que mostra que o amor, a preocupação com próximo e a tolerância com a alteridade, estão se extinguindo e dando lugar ao novo conceito característico da modernidade, o individualismo.
A falta de iluminação também nos remete ao surgimento de um novo conceito, a indiferença. Antigamente, com o surgimento dos boulevares, as pessoas permaneciam mais tempo nas ruas, davam importância umas as outras e usavam esse tempo para melhor se relacionar. Hoje em dia, pórem, a modernidade transformou esse ato em algo irrelevante, indiferente. Já não é necessária boa iluminação, porque as pessoas já não se importam com quem está do seu lado, apenas consigo mesmas.
No momento atual, novas lojas, centros culturais e cinemas, como o Espaço Unibanco, o CineSesc, estão sendo instalados com o objetivo de atrair novamente o público jovem, além da reforma das calçadas e a adesão de desenhos, tipo grafites, na faixada dos comércios. Tudo isso como uma forma de alcançar a sua antiga tradição, marcada pela diversidade e difusão cultural.

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

O poder do espírito olímpico

Os jogos Olímpicos do ano de 2008 foram realizados em uma das potências mais emergentes e contraditórias do mundo, a China. Por ser um país comandado por um Partido Comunista, em que o comportamento social e organizacional é totalmente controlado de uma maneira autoritária, liberdade é uma palavra em extinção na China.
A imprensa local e internacional censurada viu no espírito olímpico uma abertura maquiada, uma vez que qualquer tipo de manifestação dentro do país que iam contra os ideais do governo chinês, eram imediatamente reprimidos e abafados.
Segundo Skinner, psicólogo fundador do Behaviorismo, abordagem que busca entender o comportamento em função das interrelações entre história genética e ambiental do indivíduo, é necessário introduzir a ele um contracontrole. A partir do momento em que se tem a noção de todos os controles que cercam sua vida, principalmente os aversivos e punitivos, deve-se haver uma reação, ou seja, o contracontrole, por meio de uma manifestação ou um protesto. Para ele, poder e controle estão altamente interligados, já que quem possui o poder, conseqüentemente deterá o controle em suas mãos, sendo uma das maiores agências controladoras, o Estado.
Os chineses apesar de serem a maior nação não estimulam e nem permitem o contracontrole devido ao comportamento político vigente no país. É possível notar tal atitude nas preparações para umas das maiores competições mundiais, as Olimpíadas. Tendo como uma das metas para esses jogos superar o número de medalhas douradas e ultrapassar seu maior rival no quadro geral, os Estados Unidos, a China não poupou esforços para incentivar e impor seu desejo competitivo em seus atletas para um fim vitorioso, o que os acaba levando a não terem consciência de que isso também é um tipo de controle abusivo. Porém, tal controle acabou favorecendo a China que foi um dos países mais vitoriosos em todas as edições dos jogos, atingindo seus objetivos além de toda, quase impecável, organização. O resultado dessa união viu-se presente principalmente na grandiosidade desde a abertura até o encerramento, que entrou na história das Olimpíadas, ficando para Londres, uma missão difícil de superar, já que a China é marcada por esse grande controle social. Controle este de certa maneira incontestável.
Para o bom andamento dos jogos e para que o espírito olímpico prevalecesse, a China, foi obrigada a abrir mão de certos valores, revelando não ser tão fechada. O legado das Olimpíadas, a abertura e liberdade “mascaradas”, alta receptividade para outras culturas, não irá se perpetuar, logo que o espírito comunista usurpará o olímpico.
Pelo Trio Elementar

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Ella está volviendo para el comienzo.

A vida nos prega muitas peças, e com a garota não fora diferente.
ela não é do tipo que se apega fácil às pessoas, porque ela sempre soube que nada dura pra sempre, mais sim suficiente para ser eterno.
ela não concorda com o quê vêm acontecendo com ela e ele.
ela não acha certo amá-lo e não tê-lo.
em partes ele também crê nisso. mas não posso falar por ele.
é dela que eu sei. o seu dia não foi dos mais agradáveis. ela nunca sentira tanta dor e vazio.
ela não é forte, embora muitas vezes pareça.
mais ela não pede piedade, não quer que sintam pena ou mesmo dó dela.
ela só quer deitar na cama pensar quem tudo não passou de um pesadelo, embora ela saiba que irá acordar e não terá sido apenas um sonho.
ela sabe muitas coisas. só não sabe porque ele não está com ela.
seria tão mais fácil se eles contassem seus segredos. ninguém lhes disse que seria fácil ou mesmo que não enfrentariam muitas provações.
mais também ninguém lhes disse que seria tão doloroso.
é uma vergonha dizer que eles não estão juntos, e que ela só gostaria de voltar ao inicio.
ela quer encontrá-lo, dizer que sente muito e o quão amável ele é.
ela precisa achá-lo, dizer-lhe que o quer e que precisa muito dele.
ela sabe que nada fala mais alto que o amor.
ela só quer ouvi-lo dizer que a ama, que ele volte para assombrá-la em seu banho matinal e ela irá correr para o começo disso tudo.
ela só sabe que o quer feliz. e que ela o ama muito para deixá-lo sofrer.
ela quer vê-lo sorrir. ela só precisa disso.
embora sonhe em abraça-lo, beijá-lo, tê-lo novamente em seus braços.
sentir ele tocá-la, o arrepio que só ele provoca nela, o olhar que é só dele, o brilho que ela tem no olhar quando fala dele, quando pensa nele.
e isso não irá morrer. ela não deixará. ela não quer.
ela quer mesmo é tocar a mão dele.
se ele permiter, ela irá sorrir muito.
ela quer ouvi-lo dizer que a ama e voltar ao inicio da vida deles.
ela está correndo pra lá. e ele sabe onde encontrá-la.

Por Milena Nepomuceno

domingo, 17 de agosto de 2008

O homem ideal

O homem ideal me dá colo mas não me faz dependente de seus carinhos e cafunés - ao contrário, me incentiva a transpor problemas e encontrar soluções. Tem a rara habilidade de saber ouvir e deizer que é necessário, bom ou a dura e intransponível realidade. Compreende a diferença entre estar presente e fazer companhia e prefere ficar sozinho a estar de alma ausente.
Não é prolixo nem tenta impressionar, por isso é deliciosamente verdadeiro, simples e interessante.
Entende que preciso da sensação indescritivelmente libertadora de sumir por algumas horas para depois estar de volta pra ele.
Não exige a todo instante meu lado risonho porque sabe, como sabe de tantas outras coisas não ditas em sentenças ou discursos, que os dias negros fazem parte de mim. Nota minhas sutis alterações de humor e, sensato, cala-se ao meu lado olhando para a TV. E não exige explicações porque possui aquela calma sabedoria que me impele naturalmente na sua direção.
O homem ideal me dá bronca quando abuso da minha independência ou como chocolate demais e reclamo do peso. Compra sorvete light e evita discussões posteriores.
O homem ideal canta. Não precisa ser afinado, mas susurra canções que, num dia qualquer, descobrimos ambos gostar. Também bebe. Meio pinguço, é daqueles que ficam charmoso de matar com um copo de vinho nas mãos e maravilhosamente sacana três doses acima do normal. Enterra os bons modos e bate a porta do quarto, sem tempo para que eu responda à pergunta nem sequer formulada. Adormece aconchegado a mim, mas não suporta ficar agarrado durante a noite toda.
O homem ideal não considera fraqueza dizer que me ama. Pede ajuda quando sente que o peso colocado sobre seus ombros extrapolou sua força. E chora. Vive regido por sua consciência e, impulsivo, assassina a etiqueta e comete atos passionais. Então faz besteiras, erra, engana-se. E nem por isso deixa de ser maravilhoso - apenas segue sendo magnífica e tropegamente humano.
O homem ideal é imperfeito, numa imperfeição que combina exatamente com a minha.

Por Ailin Aleixo (autora de Mulher Honesta e Só os idiotas são felizes)

sábado, 16 de agosto de 2008

¿una explicación?, no hay.

A garota está tão triste.
ela tenta buscar o porquê na sua mente. de repente o inesperado tomou conta dela, e ela não sabe o que fazer perante a isso.
ela está perdida, e por mais que busque explicações, ela não as entende.
por mais que ela tente ver as coisas da forma mais racional possivel, ela não consegue.
porque ela o ama muito. mas, ela se sente vazia. ela precisa encontrar o elo que se rompeu.
ela tenta de todas as formas agradá-lo, fazê-lo feliz.
mais ela não consegue, porque ele é irreduntante. ele não quer ser feliz. ou talvez ele seja, quando não está com ela. ou mesmo, ele não quer que ela o faça feliz.
ela busca explicações onde não tem. ela pode estar delirando e criando fantasias. ou mesmo inventando razões onde não há.
ela ri. mais não é verdadeiro. e quem a conhece sabe o que se passa.
ela está aos poucos definhando. ela não tem mais vontade de fazer nada.
mas ela sabe que não é assim que tem que agir. ela sabe que não é assim que deve se encarar os problemas.
ela é corajosa. ela o ama.
ela não quer que ele se vá.
mais não depende só dela.
e ela não consegue que ele entenda isso.
bom, quem sabe um dia ambos entendam tudo isso.
ela, agora, não entende mais nada.
ela só sabe que o ama. que precisa dele.
mas que ele, agora, não precisa mais dela.
e isso dói muito.

Por Milena Nepomuceno

domingo, 10 de agosto de 2008

Magic (Colbie Cailat)

You've got magic inside your fingertips
It's leaking out all over my skin-Yeah
Everytime that I get close to you
You're making me weak with the way
You look through those eyes

And all I see is your face
All I need is your touch
Wake me up with your lips
Come at me from up above
Yeah- yeah
I need you

I remember the way that you moved
Your dancing easily through my dreams
It's hitting me harder and harderwith all your smiles
You are crazy gentle in the way you kiss

And all I see is your face
All I need is your touch
Wake me up with your lips
Come at me from up above

Oh- baby
I need you to see me the way
I see you
Love me wide awake in the middle of my dreams.


Tudo que eu preciso é que você me acorde disso tudo
Eu realmente quero que você me veja como sua princesa novamente
Eu preciso te ver feliz para que assim eu também possa ser.
Me ame como sempre me amou.
Vamos nos dar essa chance.

Por Milena Nepomuceno

Eles só precisam se amar

Por Milena Nepomuceno

a garota não tem mais esperanças.
ela se sente parte de um nada.
ao embarcar no onibus, ela sorri para o cobrador, mais parece que ninguém mais quer sorrir.
ela se sente triste, solitária.
nada mais faz sentido.
ela está perdida.
ela olha pela janela e vê o escuro da noite.
ela acabou de ver um filme que a impressionou.
as pessoas não se olham, não se cumprimentam.
mas mesmo triste ela erradia um ar vivo, um ar de que as coisas ainda não se perderam.
ela quer acreditar nisso.
ela nunca passou por isso.
ela nunca se viu sem o que ela mais aprecia.
ela precisa acreditar.
ela desce do onibus, sua mente está bem longe.
está nele que sempre a entendeu.
ela caminha e ela sorri.
ela sorri sozinha.
Louca?
não, apaixonada.
e ela está sentindo a mudança,
e que vai deixar isso tomar conta de tudo
se ele pedir um tempo,
não vai pedir pra ele ficar
mas quer que saiba
que ela não quer perdê-lo
nunca quis e jamais irá querer
mais ela o quer feliz,
a sua felicidade depende disso
ela não quer vê-lo sofrer.
e fará de tudo para que isso não ocorra.
começa a chover e ela não corre
ela sorri bem alto,
ela precisa que a chuva lave sua alma,
que a chuva leve suas incertezas embora,
ela anda pacientimente e só consegue rir e chorar
e seu choro se mistura com o da água da chuva
mais ela não liga se vai ficar doente, se estão a achando maluca
ela quer ser feliz
ela quer o amor dele pra ela
só assim ela conseguirá seguir em frente
ela precisa dele
e com isso a esperança volta a germinar na garota.
as pequenas coisas que ele faz
estão dominando-a
ela quer mostrar como seu coração está batendo loucamente
como seus pés estão nervosos
presos na calçada e ela não consegue chegar perto dos olhos dele
e chamar sua atenção antes que ele passe por ela.
se ele percebesse o que ela acabou de perceber
que eles são perfeitos um para o outro
e nunca encontrarão outra pessoa
apenas perceba
e eles nunca teriam que se perguntar.
eles precisam se dar a chance,
eles se completam.
ele é a outra parte que ela nunca entendeu e nunca teve.
ela precisa dele.
ela o quer como nunca quis ninguém.
Eles têm que se dar a chance.
talvez assim eles possam a voltar a sorrir.
tudo o precisam é se amar.
ela só quer acordar do pesadelo que a cerca e precisa que você a acorde.
ela quer muito ser acordada e voltar a realidade
em que ele fazia parte.
ela quer a esperança dentro dela.
ela o ama muito!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Para você:

Quero que você me aceite
Que me ame
Que me deseje
Como eu desejo
Que me queira
Com a mesma intensidade
Quero apenas você
E mais ninguém
Posso ser louca
Estar embriagada
Em um amor impossivel
Mas agora,
Você é o único que
Domina meus pensamentos
É o único
Que eu quero que me pertença
É quem eu quero pra mim!

Por Milena Nepomuceno

terça-feira, 8 de julho de 2008

Flores Partidas - Parte 1

Por Milena Nepomuceno
E eles se conheceram por acaso.
Não se sabe exatamente quando e nem porquê estavam ali, talvez porque ambos queriam se sentir livres, queria se embriagar a ponto de esquecer os tormentos da vida e poder rir um pouco.
No fundo uma música conhecida tocava, ela com sua postura de mulher fina, estava com um vestido preto bem curto, um sapato vermelho verniz e a bolsa combinando com seu sapato. Sua boca era carnuda, vermelha mesmo sem batom, e ela levemente dava mordidinha em seus labios quando depositava bebida em sua boca. Era linda. Uma beleza sutil, seu rosto era fino, suas pernas eram longas e estava coberta por uma meia fina preta. Estava com uma maquiagem leve, e seus olhos eram pretos como jabuticabas.
Ela nem notou que ele estava no mesmo local que ela. Ela não é esse tipo de mulher que sai a procurar de homens pra se divertir, ela no fundo quer um homem que a ame, que a complete como tal, e ele não era esse tipo de homem.
Mais como mulher decidida e vivida ela resolveu se aventurar por uma noite.
Quando se dirigiu ao banheiro, os olhos deles se encontraram.
Ela não sentiu que seus olhos brilharam ao vê-lo, nem ao menos ficou arrepiada.
Ela apenas sentiu um calor, que até hoje não sabe explicar. Ele era um homem viril, forte, usava calça jeans clara, uma camisa azul, um paletó preto e all-star.
Eles eram diferentes, e isso a fez criar fantasias com esse homem que ela nunca vira na vida.
Ela se encaminhou até a mesa dele e pediu pra acender seu cigarro, e com uma simples mordida nos labios, ela conquistou aquele homem.