terça-feira, 16 de março de 2010

A descoberta do novo velho sentimento

A descoberta. É esse momento que ela passa. Não uma descoberta nova ou inusitada. Depois de um relacionamento, o que nos resta? A solidão, a magoa ou optar por lembrar os bons momentos e seguir enfrente. Mas, sabemos que não é sempre assim. Todo relacionamento envolve inúmeras coisas, como grande afeto, dependência e muita intimidade. E, com ele também vem cada vez mais a busca pelo inusitado, pelo novo.
Era isso que ela sempre quis. O novo.
Não que ela seja uma pessoa que nunca está satisfeita com o que já tem. Pelo contrário, ela ama suas realizações, mas também quer sentir aquele mesmo frio na barriga. Por isso, atende ao telefone, e espera ele convidá-la para sair. Depois de um dia estressante de trabalho, com inúmeras laudas para rodar, inúmeros vt´s para editar e textos a escrever, ela sai e decide ir caminhando até o shopping.
Ela poderia ter pegado um táxi ou mesmo enfrentado o tumultuado e lotado ônibus. Mas, não. A noite está agradável. E, assim segue lentamente pelo caminho visto pelo tão espetacular Google Maps. Perder-se não é um dos programas favoritos dela. O celular vibra. Ela sabe que é ele. Na mensagem ele diz que já está a sua espera. Não é fácil explicar a sensação que sentiu naquele momento. Mas, ela não muda seu passo. Continua lenta e pensativa.
Seu pensamento vai longe. Vai até as viagens feitas até ali, nas amizades conquistadas, nos amores e desamores, nos grandes afetos. Mas, no fundo ela quer saber o que lhe espera. É uma ansiedade misturada com apreensão. Quando finalmente chega à entrada do shopping, percebe que ele não está ali. Será que se enganara de entrada? Pode ser. Ela liga e diz que já está ali. Eles trocam algumas palavras e ela diz que vai até a praça de alimentação ao seu encontro. Na subida pela escada rolante ela sente aquele friozinho. Na verdade não sabe explicar o que é aquilo. Mas, é bom. Muito bom.
Ele liga e fala que se confundiu. Ao mesmo tempo em que disse para ela subir, resolveu descer para ir ao seu encontro. Riram com esse engano. Eles sentam, começam contar como foi o dia. Trabalhos, papéis, viagens. Nada muito interessante. Até que ele sem jeito suja a blusa dela com chocolate. Eles dão muitas risadas. É engraçado estar ao lado dele. Ela se sente uma criança. Uma jovem que não sabe como agir, o que falar, como se comportar.
Eles decidem ir embora, afinal, não há muito que se fazer num shopping em plena segunda- feira à noite. Juntos chamam um táxi e vão até um bar próximo dali. Resolvem pedir ao mais leve. Caipirinha de abacaxi para ele e de morango para ela. A noite foi muito agradável. O telefone dele toca e ele descobre que terá que viajar logo cedo a trabalho. Ela não sabe explicar, mas naquele exato momento seu coração apertou. Aquela sensação do primeiro beijo, da primeira transa, do primeiro emprego, e das inúmeras primeiras vezes. Foi isso que sentira. E, então ela se sente plena.
Depois de muito tempo, ela voltara a sentir aquilo que nunca deveria ter parado de sentir. Talvez por culpa dela mesma ou não. Mas, prefere não pensar nisso e com um beijo ela se despede dele. E, aos abraços diz em seu ouvido: estarei lhe esperando.

Um comentário:

Unknown disse...

É muito recíproco