quarta-feira, 24 de março de 2010

..ela voltou a ser mulher

Eles precisavam ter uma conversa franca.
Lucinda não queria perder aquele homem. No fundo, ela sabia que ele não era para ela. Mas ao mesmo tempo ela se sentia muito feliz ao lado dele.
Era divertido. Mas quem era Lucinda? Ela não era uma modelo, tampouco tinha um corpo de parar o trânsito. Mas aquele olhar era por demais penetrante.
Ela não era daqui. Sua cidade natal não ficava muito longe do congestionamento da capital, mas no fundo ela sempre soube que enfretaria esse tumultuado clima de garoa.
Lucinda adorava passear pela cidade junto com seu fiel amigo. Eles se divertiam muito. Ela era um mulher muito realizada. Estava onde sempre soube que estaria e fazia somente as coisas que lhe dava prazer. Sim, claro, às vezes ela tinha que fazer algo chato. Mas é impressionante como no fundo ela conseguia tornar até mesmo uma análise de gráficos em algo interessante.
Os amigos? Bom, ela não tem uma gama muito grande. Mas os que tem, são realmente importantes e fieis a ela.
E, inesperavelmente ele surgiu na vida dela.
Augusto. Esse era o nome dele. O falar dele? É até engraçado descrevê-lo. E isso, porque nem ela consegue fazer isso. Ele é um garoto que quer apenas viver a vida. Não tem preocupações, compromissos, grandes responsabilidades. Isso pode parecer uma maravilho no inicio. Mas já estava deixando Lucinda cansada disso.
Como eles são diferentes, mas no fundo são idênticos. Talvez a musica Eduardo e Monica os descreva da forma mais fiel possivel. Ou talvez, Garotos.
Lucinda sempre foi muito pra ele. E Agusto sabia disso.
Mas é impressionante como ela conseguiu se sentir um nada ao lado dele. Não que ele a tenha feito sofrer. De forma alguma. Lucinda era muito feliz ao lado daquele garoto solto no mundo.
Como ela ria ao lado dele. Os dois se divertiam muito. Segundo os amigos dele, Lucinda era a versão mulher de Augusto. E como ela gostava de ouvir isso.
Mas estava mais do que na hora de ter aquela conversa.
Eles viveram bons momentos juntos. Mas ela já não se sentia mais mulher. E isso precisava mudar.
Com um tom leve, Lucinda disse a Augusto que eles precisavam bater um papo. Era engraçado como ela mesma encarava o relacionamento. No fundo ela sabia que não passava de uma brincaderia, e que uma hora ou outra eles iam ter esse "papo".
Então, ela começou a contar como se sentia ao lado dele. Lucinda não poupou esforços para dizer tudo. Ela não queria mais enrolar. E assim despejou um monte de coisa que já deveria ter dito. Erro dela deixar isso para tão tarde. E Augusto apenas ouvia o que tinha a dizer. Ele não esboçava nada. Por aproximadamente 2 horas Lucinda falou sem parar, chorou, rio, esbravejou, reclamou. E ele se manteve lá. Firme, confiante. Assim que acabou Lucinda pegou sua bolsa e saiu pela porta. Tranquila e relaxada. Apesar de ter participado de um monólogo, isso fez ela se sentir bem melhor. Porque no fundo Lucinda sabia que ela era muito mais que aquela relação. E que mesmo diante da possibilidade de perdê-la, ele não fazia nada, era melhor ir embora mesmo.
E lá foi ela. Com um andar leve, calmo e serena.
Lucinda voltou a sorrir e ter a mesma confiança em si. Ela estava feliz.

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