Ouvindo aqueles velhinhos tocando jazz, uma mensagem chega em meu celular. Acho estranho, porque quem manda é a pessoa ao meu lado. A frase que compunha era simples. “Faça minha felicidade essa noite”. Comecei a rir, meio sem graça. E olhei pra minha frente. Lá estava aquele sorriso. Grande. Eu não sabia nada dele. Apenas que tínhamos amigos em comum.
O motivo de estarmos ali era comemorar o aniversário de um grande amigo. O local escolhido era um barzinho muito simpático que toca jazz nas quintas-feiras. O grupo, uns velhinhos com suas boinas e uma descontração absurda.
Quando ele entrou no local, acompanhado com mais duas amigas, não consegui não olhar, muito embora acreditasse que ele era namorado de uma das meninas. Inusitadamente, ele pensou o mesmo de mim em relação ao aniversariante. Eu não conseguia não olhar praquele sorriso. Era inebriante. Sufocante, diria eu.
A noite seguiu tranqüila. Muitas risadas, drinks dos mais diversos e um incomodo seguido de vontade. E uma pergunta surge no ar: “onde você mora?”, e nisso descobrimos que somos praticamente vizinhos e num quê de dúvida o problema dos relacionamentos são resolvidos. Ninguém namorava ninguém ali. E por fim, segui-se a noite.
Fomos embora. Cada qual ficou no seu devido lar. Chegamos em frente ao meu prédio. Finalmente estávamos a sós. A sensação de estar ao lado dele era única e diferente de qualquer outra. Falamos da nossa vida, na verdade, ele falou bem mais que eu. Contou da sua incrível jornada de conhecer o pai. Ele é incrível. Eu não me cansava de ver aquele sorriso. Era atordoante. Enquanto ele falava, eu não conseguia parar de olhar para os lábios, para o sorriso. Aquilo me dominava de tal maneira. Quando nos beijamos, não consegui pensar em nada. Entreguei-me. Foi único. Uma mistura de alegria com medo que eu nunca havia sentido antes. Eu não queria que aquele momento acabasse. Queria parar o tempo e ficar ali, com ele, com aquela sensação. Mas era preciso ir embora. Cada qual para seu canto.
Seguimos nossos caminhos. Mas, ele não sai da minha cabeça. Eu vivo rindo, as coisas parecem mais simples. E com isso, vem um medo absurdo. Da mágoa, do querer demais, do não ser correspondido. Eu não sei onde isso vai dar. Prefiro nem pensar. Mas está me fazendo tão bem. Faz meus dias tão mais gostosos. Não nos vimos mais depois disso. Falamos-nos por telefone, mensagens, e o meu desejo de encontrá-lo, de ser só dele, cresce cada vez mais.
Sim, às vezes acho que espero muito de tudo, mas pela primeira vez, me entrego sem receios. Sei o que quero. E sentir isso da outra parte me faz um bem muito grande.
Estou feliz e isso me basta. Conto os dias, as horas, para vê-lo de novo. Para poder ver aquele sorriso indo na minha direção, acariciar seu rosto, beijá-lo, ser dele e fazer novamente do momento ao lado dele único. Eu não sei o que ele de fato está sentindo, mas é bom. Tudo isso, é muito bom. A surpresa, a ansiedade, o desejo, a felicidade. É um momento único e muito especial que eu não quero que acabe. Feliz, simples assim.