quarta-feira, 29 de outubro de 2008

A vingança é um prato que se come frio

Por Milena Nepomuceno
A vingança permeia a vida de muitas pessoas, pode ela ser mostrada ou oculta, ela consiste na retaliação contra uma pessoa ou grupo em resposta a algo que foi sentido como prejudicial. Em geral, ela tem um objetivo mais destrutivo do que construtivo, e há uma busca de quem sofreu algo a de garantir que a ação não se repita nunca mais.
Muitos são os exemplos de vingança apresentados em filmes, novelas e outros do gênero. O filme Kill Bill retrata a vingança d’A Noiva (UmaThurman),codinome Black Mamba, ex-assassina profissional, parte do grupo DiVAS, Deadly Viper Assassination Squad. Na tentativa de se aposentar e levar uma vida normal em uma pacata cidade do Texas, A Noiva, grávida, está prestes a se casar, quando seus ex-companheiros de trabalho invadem a capela e matam friamente todos os presentes, inclusive o reverendo e sua esposa.
A abordagem feita pelo diretor Quentin Tarantino em que somos levados a rever o massacre na capela, durante o qual a protagonista foi baleada na cabeça por seu ex-amante Bill, consegue criar um clima de tensão crescente que culmina em um plano no qual a câmera sai da igreja, passa pelos quatro assassinos que trabalham para o vilão e afasta-se em direção ao céu, como se evitasse nos mostrar o terror que tomará conta do lugar. Isso para nos mostrar o grupo a ser procurado e posteriormente assassinado pela Noiva, (Uma Thruman) mostrando sua vingança a quem lhe causou mal.
Para a filósofa Martha Nussbaum, baseada nas bases morais, psicológicas e culturais, a vingança é, “O senso primitivo do justo — notadamente constante de diversas culturas antigas a instituições moderna . . . — começa com a noção de que a vida humana . . . é uma coisa vulnerável, uma coisa que pode ser invadida, ferida, violada de diversas maneiras pelas ações de outros. Para esta penetração, a única cura que parece apropriada é a contrainvasão, igualmente deliberada, igualmente grave. E para equilibrar a balança verdadeiramente, a retribuição deve ser exatamente, estritamente proporcional à violação original. Ela difere da ação original apenas na sequência temporal e no fato de que é a sua resposta em vez da ação original — um fato freqüentemente obscurecido se há uma longa sequência de ações e contra-ações". Perante a isso, tem-se que analisar as culturas de cada país, no Japão mantinha a honra da familia, clã através do assassinato vingativo.
A vingança é uma forma de auto expressão, ela pode não ser a mais certa forma de busca por soluções a quem lhe causou problemas ou danos. Porém, assim como disse a filósofa Martha para se tornar verdadeiramente satifeisto deve-se agir da mesma forma com que a ação original designada à pessoa.
Assim já dizia o ditado popular, vingança é um prato que se come frio. Os sistemas legais modernos ocidentais geralmente afirmam que sua intenção é a reabilitação ou a reinserção na sociedade. Porém, mesmo nestes sistemas a noção de justiça como vingança persiste em setores da sociedade. Diante isso não cabe a ninguém analisar o quão certo ou errado é o ato de se vingar de quem lhe fez mal, mas sim analisar o contexto a qual está inscrito.

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